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Setembro Amarelo é uma campanha de extrema importância! Já podemos abrir este texto dessa forma. O suicídio é uma triste realidade que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 700.000 pessoas morrem por suicídio a cada ano, o que significa uma morte a cada 40 segundos.
Com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção do suicídio, surgem campanhas como o Setembro Amarelo. Trata-se de um movimento que nasceu nos Estados Unidos em 1994, quando Don e Susan Stayner perderam seu filho para o suicídio e passaram a promover a conscientização sobre o tema.
A cor amarela foi escolhida para simbolizar a luz do sol e dar esperança. A campanha chegou ao Brasil em 2015 através do CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), sendo celebrada anualmente no mês de setembro.
As atividades realizadas incluem iluminação de monumentos, distribuição de materiais informativos, palestras, caminhadas, workshops, distribuição de fitas e laços amarelos, entre outras ações que buscam dar visibilidade ao tema e promover a conscientização. Neste artigo, vamos explorar a fundo a importância de discutir e prevenir o suicídio, os principais fatores de risco, as formas de identificar sinais de alerta e as maneiras de ajudar pessoas com ideação suicida.
A dimensão do problema
O suicídio é um grave problema de saúde pública, sendo uma das principais causas de morte no mundo. Dados da OMS indicam que, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. Além disso, para cada adulto que morre de suicídio, estima-se que mais 20 tentam se matar.
No Brasil, cerca de 13 mil pessoas morrem por suicídio por ano, de acordo com o Ministério da Saúde. Isso significa uma média de 36 mortes por dia. Os números são ainda maiores entre os jovens de 15 a 29 anos, faixa etária em que o suicídio figura como uma das principais causas de óbito no país.
Especialistas apontam que os casos de suicídio tendem a se intensificar em momentos de crise. A pandemia de Covid-19, por exemplo, acarretou um aumento de casos em diversos países devido a fatores como isolamento social, ansiedade, estresse e incertezas econômicas. No Brasil, um levantamento do Ministério da Saúde indicou alta de 5,6% nos suicídios na população geral durante a pandemia.
Além da mortalidade direta, o suicídio também gera impacto indireto na sociedade e familiares, levando a perdas econômicas, absenteísmo e questões legais associadas à morte. Portanto, a prevenção é fundamental para reduzir não somente as mortes, mas diversos outros prejuízos individuais e coletivos.
Perfil das vítimas
Embora possa afetar pessoas de diferentes idades, perfis socioeconômicos e ambos os gêneros, algumas populações apresentam maior risco de suicídio.
Homens cometem suicídio de três a quatro vezes mais do que mulheres, de acordo com dados da OMS. Entre os fatores que podem contribuir estão os papéis de gênero, que levam os homens a sentirem mais dificuldade em expressar emoções e pedir ajuda.
Além disso, jovens, indígenas e a população LGBTQIA+ também integram os grupos de risco. Entre os jovens, fatores como pressão escolar, bullying e questões relacionadas à descoberta da identidade elevam a vulnerabilidade. Já povos indígenas são afetados por fatores históricos e socioculturais, como perda de território e discriminação. Pessoas LGBTQIA+ também sofrem maior discriminação, levando a taxas mais altas de suicidalidade.
Pessoas com transtornos mentais, como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, também têm maior probabilidade de cometer suicídio. Abuso de substâncias, desemprego, perdas significativas e conflitos familiares são outros fatores que elevam o risco. Portanto, é vital atenção especial a esses grupos para implementar medidas preventivas direcionadas.

Fatores ambientais
Além de fatores individuais, como problemas de saúde mental, certos fatores ambientais também podem elevar o risco de suicídio.
Fácil acesso a meios letais, como pesticidas, armas de fogo e medicações, é um facilitador. A pobreza, desemprego, discriminação, conflitos, desastres naturais e exposição a casos de suicídio na comunidade ou na mídia também influenciam.
Promover ambientes seguros e protegidos, com acesso adequado aos cuidados de saúde mental, pode ajudar na prevenção. Isso envolve medidas como controle no acesso a pesticidas ou armas, programas de inclusão social, combate à discriminação e orientação responsável pela mídia ao noticiar casos de suicídio, evitando descrições sensacionalistas.
Outras estratégias eficazes incluem instalação de barreiras físicas em pontes e estações de metrô, restrições de tamanho de embalagens de medicamentos, melhor iluminação pública e maior integração social, especialmente para idosos vulneráveis.
Sinais de alerta
Identificar sinais de alerta precoces é crucial para a prevenção do suicídio. Mudanças no comportamento, humor e hábitos da pessoa podem indicar risco:
- Falar sobre querer morrer ou se matar
- Buscar meios para se matar, como comprimidos ou armas
- Demonstrar desesperança, falta de propósito ou sensação de estar preso
- Afastar-se de amigos e familiares
- Humor deprimido persistente ou ansiedade intensa
- Alterações nos hábitos de sono e alimentação
- Abuso de álcool ou outras drogas
- Comportamentos arriscados ou autodestrutivos
- Despedidas como se não fosse ver as pessoas novamente
- Agravamento súbito após período de melhoras
A presença de transtornos mentais, histórico de tentativas prévias, eventos estressores na vida ou perdas significativas recentes também são sinais importantes.
Se identificar sinais assim em alguém próximo, deve-se levar a situação a sério e buscar ajuda profissional imediatamente. Abordar o tema com sensibilidade e demonstrar apoio também é importante.
Setembro Amarelo e a Prevenção
Programas abrangentes de prevenção do suicídio são essenciais para reverter esse cenário alarmante de mortes evitáveis. Eles incluem:
- Diagnóstico precoce e tratamento adequado de transtornos mentais, especialmente depressão.
- Restrição do acesso a meios letais como pesticidas, armas e medicações em excesso.
- Capacitação de profissionais de saúde, educação e mídia sobre identificação de pessoas em risco e abordagem responsável.
- Rastreamento em serviços de atenção primária à saúde.
- Identificação e monitoramento de grupos vulneráveis.
- Intervenções nas escolas sobre habilidades para lidar com pressões e bullying.
- Campanhas nacionais de conscientização, com enfoque na quebra do estigma.
- Linhas diretas gratuitas de prevenção ao suicídio, como o CVV.
- Investimento em pesquisa sobre fatores de risco e proteção.
- Posvenção: apoio a familiares após um suicídio, para evitar o contágio.
Tais medidas, em conjunto e adequadas à realidade local, podem contribuir para a prevenção e a conscientização sobre o tema.
Estigma e tabu
Infelizmente, falar sobre suicídio ainda é um tabu em nossa sociedade. Isso perpetua o estigma e a visão de que as pessoas que cometem suicídio são “fracas” ou “egoístas”.
Na verdade, o suicídio costuma ocorrer devido a um sofrimento psíquico intenso, frequentemente relacionado a transtornos mentais. As pessoas afetadas não “escolhem” se matar por fraqueza – são tomadas por um profundo desespero.
O estigma também faz com que muitos não busquem ajuda por medo de serem julgados. Quebrar esse ciclo requer normalizar as discussões em torno da saúde mental e prevenção do suicídio.
Compartilhar recursos, promover a escuta ativa e acolher sem julgamentos são atitudes que podem salvar vidas ao encorajar aqueles que precisam pedir ajuda. Campanhas com pessoas que passaram por esse problema e sobreviveram também ajudam a inspirar esperança.
Buscar ajuda
Se você tem pensamentos suicidas ou conhece alguém com ideação suicida, busque ajuda o quanto antes. Converse com pessoas de confiança, procure um profissional de saúde mental, ligue para o CVV (188) ou vá ao pronto-socorro.
Outras formas de obter ajuda incluem recorrer a grupos de apoio, linhas diretas de prevenção ao suicídio e serviços gratuitos de aconselhamento online ou por mensagem de texto, como o CVV via WhatsApp.
Lembre-se de que os pensamentos suicidas são transitórios. A vida é preciosa e problemas têm solução. Não desista, a ajuda existe e você não está sozinho nessa luta. Buscar apoio é um sinal de força.
Conclusão
O Setembro Amarelo cumpre um importante papel de dar visibilidade à prevenção do suicídio. Ao falarmos sobre isso abertamente e sem tabus, podemos ajudar a salvar vidas e trazer esperança.
A prevenção é possível com estratégias integradas de conscientização, diagnóstico precoce, tratamento adequado, controle de meios letais e apoio àqueles que precisam. Juntos, podemos construir uma sociedade com mais saúde mental.
Se você precisa de apoio, saiba que há pessoas dispostas a ajudar. Procure ajuda e faça a sua parte na construção de uma sociedade mais consciente, solidária e cuidadosa com a vida humana.
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Adriana Silvestre
Psicóloga Clínica
CRP: 12/05313
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